terça-feira, 26 de outubro de 2010

terça-feira, 19 de outubro de 2010

Por que você fica vendo essas coisas?

Porque eu gosto; olha o que ela faz. Não entendo; eu faço isso, também. Faz, às vezes. Não é o suficiente? Hã, é, é o suficiente, mas é que é diferente. Diferente por quê? Não sei, você não faz assim, na internet, né? E daí? É diferente. Eu faço só pra você. Isso. Isso o quê? Tem que fazer pra todo mundo.

sexta-feira, 1 de outubro de 2010

Parênteses

É por sua causa que eu rôo as unhas, como os dedos, me sangro e me machuco e me mutilo. (Pode parecer de uma ironia e de um humor filhadaputamente negros dizer isso, mas eu digo porque é verdade.) Também não seria mentira (seria, sim, mas não o suficiente para me impedir de) dizer que você tem a ver com eu escrever, desenhar, programar — logo você, que, acho, não escreve nem desenha nem programa (e olha eu, de novo, sendo um escroto com esse humor negro que não é). (Eu quero deletar isso tudo e me mandar à merda, mas não vou.)
Existe uma... entidade, que é uma pessoa que é maior que as outras etc. É uma pessoa só, mas, claro, são várias como eu sou vários. Você é essa pessoa, a primeira delas. Sempre que eu me lembrar, você vai estar lá, por mais que outras venham e tomem seu lugar, ou que te empurrem de lado, por mais que anos se passem (como passaram). (Se não me falham as contas, faziam 7 anos que a gente não se falava, o que representa um terço, quase, de todos os anos do mundo.)
E de repente, é saber que você não pode mais tocar, escrever, desenhar (mesmo que você não fosse fazer essas coisas, de qualquer forma). De repente é eu não saber mais o que falar, como falar, se falar. É bem mais que 158km (acabei de procurar no Google Maps), que eu não sei se posso percorrer, se devo. (Eu quero-não-quero, entende?).
Eu não gosto de ser assim, sim, sincero. Às vezes, tem-que.

terça-feira, 28 de setembro de 2010

Eu não queria, ainda.

Na verdade, nunca me senti melhor, é até estranho, mas não tão estranho assim! As pessoas não responderam. Todas vestiam preto e estavam solenes e algumas choravam. Os homens tiraram os chapéus, as mulheres apertavam as mãos contra o peito. Tão nova, tão nova... E ela ali, dizendo Não, vocês não entendem, é só não fazerem isso, é só me deixarem ficar, mas o luto já estava instaurado, as lágrimas vertidas, todo mundo ali, com ela, por ela, todo mundo adeus e só ela não, não, e quem é ela? É só ela, só ela e nem é mais.

quinta-feira, 23 de setembro de 2010

quinta-feira, 16 de setembro de 2010

Dank u well, doei, doei.
Eu falei e fui embora, eu falei e fui embora.
Dank u well, doei, doei.
Satisfações e até mais ver, satisfações e até mais ver.
Dank u well, doei, doei.
E ela tão assim pequena, ela tão assim pequena,
Dank u well, doei, doei.
Era bem maior que eu, era bem maior que eu.

segunda-feira, 13 de setembro de 2010

Quando ele começou a trabalhar no escritório,

na baia ao lado, uma das primeiras coisas que ela percebeu foi que seria difícil agüentar o cheiro. Demorou um pouco mais pra ela entender o que era aquilo e quando ela percebeu, não ficou muito mais satisfeita, porque o cara exalava cheiro de pinto.
Lívia sentiu nojo, lógico. Ela ficou brava e quando ele chegava, ela fingia que estava ouvindo o ipod ou lendo um artigo muito longo e difícil, alguma coisa sobre farmacologia, com palavras grandes e então ela não o cumprimentava nem olhava para o lado que era para não mirar o nariz naquele cheiro todo de pinto, pau, de coisa suja.
Mas não adiantava muito (não adiantava nada), porque ela ainda tinha que passar o dia inteiro lá e aquele cheiro vinha que nem um miasma sufocante, uma fumaça contagiante, uma coisa degradante, mesmo. Porra. Cheiro de sovaco, de suor, de cu, tudo isso ela já tinha agüentado e agüentava, mas cheiro de pau era demais e ela tinha que ficar lá, afogada naquilo, como se respirando a pica dele, tomando banho de pica dele.
E é claro que o tempo todo que ela ficava lá, ela não conseguia pensar em nada que não fosse o pau dele. Durante cada segundo do expediente, ela mantinha plena consciência de que o pau dele estava lá, ao alcance do braço, da mão, do que mais fosse. Era que nem, sei lá, ser lembrada o tempo todo de que ele era bicho macho, de que ele tinha o que era preciso para o sexo ali, pertinho, tão pertinho que saía dele, mesmo, e já penetrava nela mesmo que pelas narinas. Pelos poros.
Foi uma semana, só, de asco e depois virou obsessão. Ou melhor era ser claro e dizer: tesão. Não chegava e nem podia
Chegar a ser paixão. Mas era algo perto, que é a perda da razão. Hormônios, talvez, feromônios ou seja lá como chamam essas coisas que se vendem na internet e que de repente podiam ser substituídas por um cheiro forte não de pinto, mas de hombridade, de masculinidade. Nada a ver, também, com sexismo, mas com algo muito anterior e mais inocente do que isso.
Ele chegava e, junto com o cheiro, vinham a ela as imagens que ela imaginava do pau dele, sempre grande e suado, sempre pós-coito, os fluidos dele e dela (sim, dela) escorridos all along, os cheiros agora misturados.
Um dia, quando não dava mais, ela esperou ele levantar, ir até o banheiro e foi também, ligando pouco para alguém que estivesse vendo. Fechou a cabine e os dois ali, ele meio assustado, mas não disse nada enquanto ela tirou sua camisa (a dela) e sua calça (a dele) e agarrou aquela cueca de cheiro forte, que ela esperava suada.
E aí, aquele tamanho médio, aquela limpeza toda, a decepção de uma foda normal, ainda com o desconforto e o aperto da cabine do banheiro.