terça-feira, 9 de novembro de 2010

Não é que nunca tivesse errado. Não é que não tivesse culpa que perturbasse aquela leveza de agora, ou que não sentisse, às vezes, uma depressão enorme que vinha e por um milésimo de segundo parecia infinita. É só que agora, sei lá, agora parecia que tudo bem.
Atrás de toda a sujeira do mundo, existem os lugares bonitos. E existem os lugares que são bonitos, ao seu jeito, porque são sujos. Às vezes, a gente tem que limpar, arrumar, pintar. Às vezes, é só olhar melhor.

Sou eu

Devia haver pelo menos cinco mil pessoas no galpão improvisado, mas, de repente, no meio de todas elas, havia aquela garota de azul. Com a música tocando e a confusão de formas e cores que eram todo mundo, ele nem a teria notado, mas ela lhe tocou o braço e disse Sou eu.
Com a mais absoluta certeza, ele nunca a havia visto antes. Ela era bonita, mas não demais, e tinha o cabelo preto e tudo o mais. Ela seria mais uma no meio daqueles cinco mil, mas ela lhe tocou o braço e disse Sou eu. E ele ainda não fazia idéia de quem era ela, mas estava com vergonha de perguntar, porque não se pergunta isso a quem te chama no meio de cinco mil pessoas e diz Sou eu, então ela mesma explicou:
Eu sou a pessoa perfeita para você.
Ok, aquilo era mesmo estranho, então ele não entendeu ou não acreditou ou só não levou a sério, mesmo, que é o que se faz quando alguém no meio de uma festa fala Eu sou a pessoa perfeita para você. Por outro lado, ela era bonita e não demais, e tinha o cabelo preto e tudo o mais, então ele disse Ah, é?, e sorriu e eles andaram dali.
Eu posso provar, ela disse.
Ela tirou alguma coisa do bolso e mostrou a ele. Talvez fosse um celular em que ele pudesse ver as comunidades dela no orkut, ou talvez fosse um mp3 player com sua lista de cantores favoritos. Ele pegou e examinou de verdade, o que também era estranho, mas, a essa altura, tudo bem.
Ah, não somos tão parecidos assim, ele disse, devolvendo fosse lá o que fosse.
Não, ela disse.
E pode dar certo?
Ela riu e pegou na não dele.
A gente vê.

terça-feira, 26 de outubro de 2010

terça-feira, 19 de outubro de 2010

Por que você fica vendo essas coisas?

Porque eu gosto; olha o que ela faz. Não entendo; eu faço isso, também. Faz, às vezes. Não é o suficiente? Hã, é, é o suficiente, mas é que é diferente. Diferente por quê? Não sei, você não faz assim, na internet, né? E daí? É diferente. Eu faço só pra você. Isso. Isso o quê? Tem que fazer pra todo mundo.

sexta-feira, 1 de outubro de 2010

Parênteses

É por sua causa que eu rôo as unhas, como os dedos, me sangro e me machuco e me mutilo. (Pode parecer de uma ironia e de um humor filhadaputamente negros dizer isso, mas eu digo porque é verdade.) Também não seria mentira (seria, sim, mas não o suficiente para me impedir de) dizer que você tem a ver com eu escrever, desenhar, programar — logo você, que, acho, não escreve nem desenha nem programa (e olha eu, de novo, sendo um escroto com esse humor negro que não é). (Eu quero deletar isso tudo e me mandar à merda, mas não vou.)
Existe uma... entidade, que é uma pessoa que é maior que as outras etc. É uma pessoa só, mas, claro, são várias como eu sou vários. Você é essa pessoa, a primeira delas. Sempre que eu me lembrar, você vai estar lá, por mais que outras venham e tomem seu lugar, ou que te empurrem de lado, por mais que anos se passem (como passaram). (Se não me falham as contas, faziam 7 anos que a gente não se falava, o que representa um terço, quase, de todos os anos do mundo.)
E de repente, é saber que você não pode mais tocar, escrever, desenhar (mesmo que você não fosse fazer essas coisas, de qualquer forma). De repente é eu não saber mais o que falar, como falar, se falar. É bem mais que 158km (acabei de procurar no Google Maps), que eu não sei se posso percorrer, se devo. (Eu quero-não-quero, entende?).
Eu não gosto de ser assim, sim, sincero. Às vezes, tem-que.

terça-feira, 28 de setembro de 2010

Eu não queria, ainda.

Na verdade, nunca me senti melhor, é até estranho, mas não tão estranho assim! As pessoas não responderam. Todas vestiam preto e estavam solenes e algumas choravam. Os homens tiraram os chapéus, as mulheres apertavam as mãos contra o peito. Tão nova, tão nova... E ela ali, dizendo Não, vocês não entendem, é só não fazerem isso, é só me deixarem ficar, mas o luto já estava instaurado, as lágrimas vertidas, todo mundo ali, com ela, por ela, todo mundo adeus e só ela não, não, e quem é ela? É só ela, só ela e nem é mais.

quinta-feira, 23 de setembro de 2010