sexta-feira, 17 de dezembro de 2010

Você tem algumas das características mais abomináveis em um ser humano

Você é racista, você é uma ignorante política, você usa o ar-condicionado o tempo todo, mesmo quando não é preciso, você paga pela marca, você faz coisas sem sentido porque "é o correto", você é um pouco machista (mas de forma inocente), você insiste na literatura ruim, você liga demais para as aparências, você quer só o  confortável, o fácil, o caro, você tem suas hipocrisias, seus medos, você me põe tanto peso nos ombros, nas costas.


Eu ainda posso te amar?

quarta-feira, 8 de dezembro de 2010

Não dói mais

Ver as fotos
dela
com ele
não me dói mais.

Ver os braços
dela
nele
não me dói mais.


Ver o riso
dela
por ele
não me dói mais

do que ficar sem ver

terça-feira, 9 de novembro de 2010

Não é que nunca tivesse errado. Não é que não tivesse culpa que perturbasse aquela leveza de agora, ou que não sentisse, às vezes, uma depressão enorme que vinha e por um milésimo de segundo parecia infinita. É só que agora, sei lá, agora parecia que tudo bem.
Atrás de toda a sujeira do mundo, existem os lugares bonitos. E existem os lugares que são bonitos, ao seu jeito, porque são sujos. Às vezes, a gente tem que limpar, arrumar, pintar. Às vezes, é só olhar melhor.

Sou eu

Devia haver pelo menos cinco mil pessoas no galpão improvisado, mas, de repente, no meio de todas elas, havia aquela garota de azul. Com a música tocando e a confusão de formas e cores que eram todo mundo, ele nem a teria notado, mas ela lhe tocou o braço e disse Sou eu.
Com a mais absoluta certeza, ele nunca a havia visto antes. Ela era bonita, mas não demais, e tinha o cabelo preto e tudo o mais. Ela seria mais uma no meio daqueles cinco mil, mas ela lhe tocou o braço e disse Sou eu. E ele ainda não fazia idéia de quem era ela, mas estava com vergonha de perguntar, porque não se pergunta isso a quem te chama no meio de cinco mil pessoas e diz Sou eu, então ela mesma explicou:
Eu sou a pessoa perfeita para você.
Ok, aquilo era mesmo estranho, então ele não entendeu ou não acreditou ou só não levou a sério, mesmo, que é o que se faz quando alguém no meio de uma festa fala Eu sou a pessoa perfeita para você. Por outro lado, ela era bonita e não demais, e tinha o cabelo preto e tudo o mais, então ele disse Ah, é?, e sorriu e eles andaram dali.
Eu posso provar, ela disse.
Ela tirou alguma coisa do bolso e mostrou a ele. Talvez fosse um celular em que ele pudesse ver as comunidades dela no orkut, ou talvez fosse um mp3 player com sua lista de cantores favoritos. Ele pegou e examinou de verdade, o que também era estranho, mas, a essa altura, tudo bem.
Ah, não somos tão parecidos assim, ele disse, devolvendo fosse lá o que fosse.
Não, ela disse.
E pode dar certo?
Ela riu e pegou na não dele.
A gente vê.

terça-feira, 26 de outubro de 2010

terça-feira, 19 de outubro de 2010

Por que você fica vendo essas coisas?

Porque eu gosto; olha o que ela faz. Não entendo; eu faço isso, também. Faz, às vezes. Não é o suficiente? Hã, é, é o suficiente, mas é que é diferente. Diferente por quê? Não sei, você não faz assim, na internet, né? E daí? É diferente. Eu faço só pra você. Isso. Isso o quê? Tem que fazer pra todo mundo.

sexta-feira, 1 de outubro de 2010

Parênteses

É por sua causa que eu rôo as unhas, como os dedos, me sangro e me machuco e me mutilo. (Pode parecer de uma ironia e de um humor filhadaputamente negros dizer isso, mas eu digo porque é verdade.) Também não seria mentira (seria, sim, mas não o suficiente para me impedir de) dizer que você tem a ver com eu escrever, desenhar, programar — logo você, que, acho, não escreve nem desenha nem programa (e olha eu, de novo, sendo um escroto com esse humor negro que não é). (Eu quero deletar isso tudo e me mandar à merda, mas não vou.)
Existe uma... entidade, que é uma pessoa que é maior que as outras etc. É uma pessoa só, mas, claro, são várias como eu sou vários. Você é essa pessoa, a primeira delas. Sempre que eu me lembrar, você vai estar lá, por mais que outras venham e tomem seu lugar, ou que te empurrem de lado, por mais que anos se passem (como passaram). (Se não me falham as contas, faziam 7 anos que a gente não se falava, o que representa um terço, quase, de todos os anos do mundo.)
E de repente, é saber que você não pode mais tocar, escrever, desenhar (mesmo que você não fosse fazer essas coisas, de qualquer forma). De repente é eu não saber mais o que falar, como falar, se falar. É bem mais que 158km (acabei de procurar no Google Maps), que eu não sei se posso percorrer, se devo. (Eu quero-não-quero, entende?).
Eu não gosto de ser assim, sim, sincero. Às vezes, tem-que.