quinta-feira, 2 de setembro de 2010

Suzana

não cantava.
Nunca.
Nem no banho, nem quando tocava no rádio a música que ela mais
[amava no mundo e que havia anos que ela não ouvia, Suzana não 
[cantava nunca.
Um dia (não era nenhum dia especial nem nada do tipo era um dia) ela
[conheceu Renato
e ela pensou Eu queria ele pra mim. (Não era amor nem paixão nem
[tesão, era alguém que você encontra e pensa que quer.)
E nesse dia o Renato conheceu ela e
ele pensou que queria ela e algo deu certo, porque aquele dia era um dia
[em que as coisas davam certo.
E foi um dia bom (nem mais nem menos do que isso: um dia bom
e tudo o que a gente pode esperar na vida é um dia bom e talvez outro
[depois
ou senão, pelo menos um dia bom e ela teve um naquele dia. E mil
[pássaros podiam ter nascido, mil pessoas podiam ter sido 
[salvas e nada disso seria mais do que 
[um dia bom como aquele foi).
E mesmo assim, ela não cantou, e isso não teve importância nenhuma.

Um comentário:

Igor disse...

Gostei desse. Ainda preciso ler o em partes...