terça-feira, 21 de agosto de 2012

Mar, 12


Ajeitamos nossas coisas na casa de uma portuguesa que aceitou nos ceder dois quartos. Ela explicou que o maior deles pertencia ao marido e o outro ao filho, mas que não nos preocupássemos, porque nenhum dos dois parecia prestes a voltar. De fato, os quartos pareciam estar vazios há bastante tempo, dados o cheiro e as teias de aranha embaixo do estrado da cama, mas eram bons quartos e nos acomodamos melhor do que podíamos esperar.
No dia seguinte --- e nos dez dias que o seguiram ---, acordamos cedo, pegamos nosso equipamento e mergulhamos.
Ao redor daquela ilha, havia peixes que eu nunca havia visto --- o que não é dizer pouco. Os crustáceos também eram incomuns nos mares brasileiros e chegamos a ver, a uma pequena distância uns dos outros, crustáceos típicos dos mares do norte, como a lagosta europeia, convivendo com cações comuns em nossos mares. Nos rios, a mistura não era menos inusitada, com trutas dividindo o espaço, por exemplo, com guaiamuns.
Eu passava horas com Sílvia explorando aquelas águas e nunca deixávamos de nos surpreender. Mas a cada noite, eu seguia sozinho pelas ruas da ilha, e a cada caminho que explorava, percebia que, pela primeira vez, estava mais curioso com o que havia acima do nível do mar do que embaixo dele.

Um comentário:

ALEXANDRE disse...

"o bote salva-vidas de pedra"