quinta-feira, 5 de maio de 2011

Às vezes, entrando em um estabelecimento com o fôlego falto e ainda sob a casaca molhada da chuva de fora, Beto se vê obrigado a abaixar-se e reatar os cadarços encharcados. Nessas horas, se você passar ao lado dele perto o bastante, ele erguerá os olhos e fitará seu rosto de baixo, vassalo, um joelho apoiado no chão e o outro na altura do peito, as roupas feitas imprestáveis pela chuva, a água escorrendo pelo rosto, o cabelo caído sobre a testa. Olhando-o de cima, seco, o guarda-chuva como cetro, você pode, pelo mais breve dos momentos, achar que há alguma hierarquia envolvida nisso tudo, e talvez haja, mesmo, talvez tudo faça sentido quando chove.

Um comentário:

D.Ximenes disse...

Gosto de ver como quem escreve percebe as coisas (ou como parece perceber pela minha percepção do texto).
A sua percepção me instiga :)
Parabéns senshiba (cadê o botão de follow?)


- Hyaku