quinta-feira, 16 de agosto de 2012

Mar, 11


Não existe uma sensação que se compare ao balançar de uma escuna atirando-se contra as ondas. É um gesto de bravura. Uma briga, primeiro, contra a agitação do mar e então, na crista, a vitória que se transforma em um salto, fazendo o casco flutuar por alguns instantes antes de voltar a se chocar contra a água e então repetir tudo outra vez. Exceto que não há repetição. Cada onda é nova, cada salto é diferente. Existem pessoas que consideram o balanço das pequenas embarcações nauseante, enquanto outras parecem ter grande facilidade para dormir nestas condições, como se chacoalhadas em um berço. Nenhum destes é o meu caso. Gosto é de esticar o braço para fora e sentir meus dedos tocarem, às vezes, a água salgada. Gosto de sentir meus ombros ardendo de sol e do vento que os refresca. Gosto de olhar ao longe com toda a atenção, mesmo quando me repreendem e dizem que não há nada lá. Porque há alguma coisa, há milhares de coisas: há o mar e a promessa de que um golfinho, um peixe-voador, uma tartaruga-verde ou uma revoada de fragatas pode aparecer a qualquer momento.
Foram essas as coisas que eu senti --- e não sono ou náuseas --- enquanto íamos para a Ilha.

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