segunda-feira, 23 de julho de 2012

Mar, 9


Sentada na madeira do pequeno cais, enrolada em todos os panos de sua saia, a portuguesa parecia a própria imagem da tristeza. Foi a primeira pessoa que vi, quando a lancha contornou a encosta sul da ilha e desligou o motor, deixando-se deslizar preguiçosa até a praia. Uma semana já havia se passado desde aquele dia e a mulher parecia não ter se movido desde então.
Sílvia me explicou que chegara à ilha por acaso, enquanto acompanhava um grupo de golfinhos de focinho de garrafa. A princípio, chegou a pensar que o lugar não era nem mesmo habitado, até que encontrou aquela mesma praia onde, dias antes, descêramos da lancha. Lá, surpreendeu-se ao encontrar um povoado com não menos que cinco mil pessoas. Havia casas de madeiras construídas sobre a areia da praia, casas de pedra nas encostas, casas de alvenaria ao redor da ruela principal e casas improvisadas com a lata dos cascos de barcos.
As pessoas que habitavam a ilha não eram menos variadas. Como a mulher triste do cais, havia outras tantas portuguesas, mas também havia holandeses, espanhois, ingleses, noruegueses, árabes (iranianos, talvez?). Era uma babilônia em que se falavam todas as línguas, se vestiam todas as roupas, se serviam todas as comidas.
Era uma vila que, sob qualquer ótica, não fazia sentido.

Um comentário:

ALEXANDRE disse...

Paraíso das Marsopas